domingo, 18 de dezembro de 2016

GESTÃO DE CARREIRA: COMO OBTER SUCESSO PROFISSIONAL E ESPORTIVO?

Caro leitor, sem querer desmotivá-lo, já gostaria de adiantar minha resposta: NÃO SEI!

Vamos aos fatos. A primeira pergunta é: O que é sucesso para você?

Esta conclusão depende de tantos fatores que é melhor nem tentar responder, pois o sucesso pode estar ligado à família, ao dinheiro, às suas conquistas profissionais, esportivas ou simplesmente à felicidade num geral não tão específico. A questão aqui é que cada vez mais atletas amadores buscam obter sucesso nas modalidades esportivas que praticam e muitos deles conseguem. O interessante é que cada um pode perseguir a sua meta específica, como por exemplo baixar alguns segundos na Maratona, conseguir um pódio na sua categoria ou simplesmente levantar mais peso na musculação. Logicamente que existem as frustrações, como em tudo na vida, mas belas lições são aprendidas e muitas vezes utilizadas no ambiente profissional.

Sou um cara de sorte. Tive uma infância com tantas oportunidades de praticar esportes que me tornei um profissional da área, ou seja, o meu sucesso profissional está totalmente ligado ao sucesso no esporte. Me formei em Educação Física e fiz especialização em Fisiologia do Exercício na UFPR. Trabalho em academias desde 1998, ano do meu primeiro estágio e desde então me vejo neste ambiente.

Iniciei muito cedo nas ultramaratonas e tive destaque internacional num cenário competitivo, mas naquela época ainda desconhecido para a maioria do público no Brasil. Foi a partir de 2012 que as ultramaratonas começaram a chamar mais atenção e se tornar “moda” entre os corredores. Hoje em dia me chama a atenção provas de longa distância em montanhas com aproximadamente 1000 inscritos, sendo que praticamente a metade não tem a mínima condição de estar ali. Mas enfim, está é outra discussão...

Como disse anteriormente, meu primeiro estágio foi no ano de 1998. Lá se vão 18 anos. Neste caminho tive altos e baixos como qualquer profissional. Desenvolvi uma característica natural de liderança e com certeza as competições me ensinavam muito sobre como lidar com crises e principalmente, com o comportamento do ser humano. Aqui vale uma observação. Uma das grandes vantagens de se trabalhar em academias de ginástica é que você pode estar inserido no meio mais egocêntrico que existe na face da terra. Assim sendo, basta observar o comportamento das pessoas que vai tirar lições para vida inteira, sejam elas boas ou não tão boas assim.

Em 2009 consegui a classificação para aquela que é considerada a corrida mais difícil do mundo, a ultramaratona Badwater. São 217km correndo no Vale da Morte, deserto de Mojave na Califórnia. Apenas 100 atletas ranqueados são convidados para participar e depois de muito esforço consegui estar entre eles.  Conclui a prova abaixo de 48h e voltei pra casa com o “Buckle”, uma fivela estilizada de honra para aqueles que conseguem o feito.

No retorno ao Brasil fui convidado para ministrar uma palestra motivacional na empresa de um aluno do qual era professor. Daí para frente não parei mais. A palestra “Desafiando seus Limites” já ultrapassou as fronteiras e estimo que mais de 200 mil pessoas já assistiram. Tenho uma agenda extensa e com isso também consegui belos contatos com patrocinadores e apoiadores, que me deram a oportunidade de praticamente viajar o mundo competindo.

Hoje tenho uma assessoria esportiva online, chamada Ultra Bonatto Team, com alunos no Brasil e no exterior, gerencio uma rede de academias em Curitiba, a Studio Corpo Livre, com mais de 4.000 alunos e 150 colaboradores, ministro cursos técnicos na área, palestras motivacionais em empresas e consegui arranjar tempo para ter dois filhos e esposa. Ufa, acho que consegui contar um pouco da minha história.

Agora você pode estar imaginando que tudo foram flores pelo caminho e posso te dizer que encontrei muito mais espinhos. O sucesso depende de muitos fatores, mas acredito que algumas características são fundamentais, tanto no esporte quanto no meio empresarial. Vou compartilhar um texto que escrevi a poucos dias, logo após um grande evento que realizamos em nossa academia. No calor da emoção acho que saiu alguma coisa boa:   

“Então você quer ter sucesso? Deixa eu te contar um pequeno detalhe sobre isso...sucesso tem a ver com constância, com doação, com abrir mão de muitas coisas em torno de um objetivo...acordar cedo, ser persistente, não desistir, mesmo quando o mundo está contra você...tem a ver com disciplina, fazer aquilo que deve ser feito, sem esperar nada de ninguém, FAÇA! Chegar lá vai ser muito difícil, sabe por que? Porque SUCESSO É UM ESPORTE PARA POUCOS.” 

Esporte afasta as crianças das drogas, cria pessoas mais fortes, profissionais persistentes e vencedores. Esporte é vida, saúde, emoção, alegria, tristeza, derrota, vitória... Na minha humilde opinião, o esporte, de alto rendimento ou recreativo, colabora e muito na busca por metas e objetivos, sejam eles quais forem. Poucas atividades são tão completas, unindo corpo e mente, criando uma sintonia única.

Reafirmando a resposta, realmente não sei como obter sucesso, mas o que sei é que o esporte continua me auxiliando e ensinando nesta busca.

Obrigado pela oportunidade de compartilhar experiências e tenham todos muito sucesso, seja qual for o caminho escolhido!

Raphael Bonatto

  
                                            

terça-feira, 1 de novembro de 2016

SURGE UMA NOVA GERAÇÃO NO TRAIL RUNNING NACIONAL?


Neste último final de semana, entre os dias 28 e 30/10, estive presente na 3a edição da INDOMIT Costa Esmeralda, evento realizado entre belas praias e morros do estado de Santa Catarina, incluindo Porto Belo, Bombas e Bombinhas. Poderia escrever sobre a paisagem, os detalhes do percurso, clima entre os atletas e muitos outros detalhes, mas o que mais me chamou a atenção foi o resultado na Elite dos 100K masculino. Há tempos que venho observando que sempre os mesmos atletas vencem as principais competições nacionais e a grande maioria deles tem idade acima dos 35 anos. Logicamente que um esporte não pode se renovar se a nova geração não chegar em bom nível competitivo, ou seja, enquanto os "velhinhos" continuarem ganhando não teremos evolução no esporte. Basta observar a média de idade nos Jogos Olímpicos para entenderem o que estou falando. Os jovens são o futuro e precisam começar cedo a praticar para que possam aproveitar o auge de sua performance física. Enfim, não vou alongar o papo por aqui, pois são muitas variáveis.

Vamos falar sobre o resultado da prova. Entre os cinco primeiro colocados, tivemos o Campeão e o terceiro colocado com idade abaixo dos 29 anos. O atleta de São Paulo Carlos Henrique Botelho da Silva tem 25 anos e o carioca Marcus Paulo Escrivani Borges tem 26 anos de idade. De resto, em todas as outas categorias da elite Ultra Trail (100K, 80K e 50K), apenas nos 50K a terceira colocada Luciane de Medeiros tinha idade inferior aos 29 anos.

Como formador de opinião neste esporte cada vez mais praticado, me vejo na obrigação de analisar tais resultados para que possamos bolar novas estratégias para atrair o público mais jovem para as corridas Trail. Acredito muito no papel dos pais, no incentivo desta prática pelos filhos, levando desde pequenos para que possam sentir a experiência. Provas que oferecem a modalidade Kids sempre chamam a atenção e lotam de participantes. Já para os adolescentes talvez a estratégia seja oferecer uma premiação diferenciada sub 20 anos e estimular clínicas de formação pelo Brasil.

No mesmo final de semana tivemos a histórica participação da seleção brasileira de corredores de montanha na modalidade Ultra Trail em Portugal, formada pelos brasileiros Cleverson Luis Del Secchi, Chico Santos, Ivan Pires, Hamilton Miragaia, Lígia Almeida e Cynthia Terra, comandadas pelos experientes técnicos Sidney Togumi e Mariano Moraes. Conseguimos a 13a colocação geral e a honrosa PRIMEIRA colocação da América do Sul. Isso foi histórico e demos o primeiro passo. Um detalhe, adivinhem a idade dos nossos representantes? Nenhum abaixo dos 30 anos de idade. 

Existe também outra razão fisiológica para entendermos a manutenção destes excelentes níveis de performance mundo afora por atletas mais experientes. Na minha próxima postagem vou mostrar uma pesquisa muito interessante realizada no Mundial de Corrida em Montanha de 2007 na Áustria. Alguns atletas conseguem manter altos índices de VO2 máximo e VO2 de limiar mesmo com o passar da idade.

Que venha a nova geração, avante o Trail Running nacional!