domingo, 10 de dezembro de 2017

DA ULTRA PARA OS 5K...NÃO SERIA O CONTRÁRIO?

No último dia 19 de novembro participei novamente da Maratona de Curitiba. Correr em casa é sempre bom, principalmente por compartilhar a pista com muitos amigos. Precisava viver esta atmosfera, correr sem dores e recuperar a confiança. Foi o que aconteceu. Fiquei longe do meu recorde pessoal, completei a prova em 3:24h, mas poucas vezes tão feliz!
Não consegui treinar com regularidade, fiz apenas uma sessão mais longa de 20K e ainda por cima quebrei. Sabia que não estava tão veloz quanto das outras vezes e coloquei uma meta de fechar sub 3:30h.
Assim que cruzei a linha de chegada tracei uma meta pessoal. Recuperar um pouco de velocidade. Até o final de 2017 quero correr 10K sub 38' novamente, numa média de 3'50"/km. Para tal devo fazer o caminho contrário das ultras, onde treinamos ritmo e volume. Existem sim as sessões de velocidade e limiar, porém quando treinamos para distâncias curtas, a metodologia muda completamente. Você já deve ter ouvido aquela famosa opinião que diz: "correr 5K e 10K é MUITO mais fácil do que uma ultra". Que belo engano meus amigos. Se fosse assim o Usain Bolt nem precisava treinar, pois só corre 100 metros!
O caminho para ser veloz, na minha humilde opinião, é mais difícil do que para ser resistente. Tenho mais de 50 ultras no curriculum e todos os atletas com quem competi, do mais alto nível mundial, já caminharam ao meu lado em algum momento da competição. A ultra tem a ver com muitos outros aspectos que vão te tornar resistente, como por exemplo, a capacidade que seu corpo tem de se alimentar enquanto corre (ou caminha), a tolerância aos alimentos e a hidratação, privação de sono, dores, aspectos psicológicos, apoio ou não na prova, entre outros fatores que influenciam no seu rendimento.
Sem menosprezar ninguém, muito pelo contrário, todos devem ser exaltados pela sua resiliência, mas já participei de muitas competições onde a maioria dos atletas caminhou a prova toda e fizeram longas quilometragens, configurando uma ultramaratona. É difícil ver alguém que corra 24h sem parar, quase impossível. Que fique claro que isso não é crítica, é só uma base para explicar os por quês da minha opinião que correr com "sangue na boca ou nos olhos" é mais difícil do que uma ultramaratona.
Descansei uma semana e iniciei a periodização para me tornar veloz novamente. A primeira coisa que fiz foi um teste de 3000m em pista para verificar meus limiares. Ainda um pouco cansado fiz em 11'30", média de 3'50" por km. O problema foi que terminei exausto, ou seja, nunca que conseguiria fazer 10K nesta velocidade.
Então organizei as semanas de treino em sessões de Fartlek (alterações de velocidade), tiros curtos, tiros longos, ritmo e treinos regenerativos. Estou literalmente morrendo pela boca, pois ser veloz dói, te tira o sono, dá vontade de desistir e nem de longe me dá o prazer das longas rodagens das ultras. Isto que estou falando de sub 38', o que para um nível amador pode até ser considerado mediano, mas para a elite seria um mero treino regenerativo. Enfim, cada um no seu nível.
Estou fazendo o caminho contrário e hoje consegui rodar 5K para 19'00" cravados. Ainda não consigo manter este ritmo por mais nenhum quilômetro sequer, mas já estou me acostumando com a velocidade e acredito que na próxima semana já devo chegar perto de uns 7K ou 8K neste ritmo.
A conclusão que chego é, tudo na vida em que colocamos metas ousadas não vai vir de graça. Você vai conquistar somente se tiver foco, disciplina, regularidade e amor por aquilo que está fazendo, caso contrário nem comece. Veremos se até o final do ano vai acontecer, o que garanto é que vou me dedicar e treinar para tal. Se fizer isso será muito provável atingir a meta.
E você, qual a sua meta? Será que posso te auxiliar em algo? Escreve aqui e mantemos o contato.
Grande abraço e até a próxima!

domingo, 18 de dezembro de 2016

GESTÃO DE CARREIRA: COMO OBTER SUCESSO PROFISSIONAL E ESPORTIVO?

Caro leitor, sem querer desmotivá-lo, já gostaria de adiantar minha resposta: NÃO SEI!

Vamos aos fatos. A primeira pergunta é: O que é sucesso para você?

Esta conclusão depende de tantos fatores que é melhor nem tentar responder, pois o sucesso pode estar ligado à família, ao dinheiro, às suas conquistas profissionais, esportivas ou simplesmente à felicidade num geral não tão específico. A questão aqui é que cada vez mais atletas amadores buscam obter sucesso nas modalidades esportivas que praticam e muitos deles conseguem. O interessante é que cada um pode perseguir a sua meta específica, como por exemplo baixar alguns segundos na Maratona, conseguir um pódio na sua categoria ou simplesmente levantar mais peso na musculação. Logicamente que existem as frustrações, como em tudo na vida, mas belas lições são aprendidas e muitas vezes utilizadas no ambiente profissional.

Sou um cara de sorte. Tive uma infância com tantas oportunidades de praticar esportes que me tornei um profissional da área, ou seja, o meu sucesso profissional está totalmente ligado ao sucesso no esporte. Me formei em Educação Física e fiz especialização em Fisiologia do Exercício na UFPR. Trabalho em academias desde 1998, ano do meu primeiro estágio e desde então me vejo neste ambiente.

Iniciei muito cedo nas ultramaratonas e tive destaque internacional num cenário competitivo, mas naquela época ainda desconhecido para a maioria do público no Brasil. Foi a partir de 2012 que as ultramaratonas começaram a chamar mais atenção e se tornar “moda” entre os corredores. Hoje em dia me chama a atenção provas de longa distância em montanhas com aproximadamente 1000 inscritos, sendo que praticamente a metade não tem a mínima condição de estar ali. Mas enfim, está é outra discussão...

Como disse anteriormente, meu primeiro estágio foi no ano de 1998. Lá se vão 18 anos. Neste caminho tive altos e baixos como qualquer profissional. Desenvolvi uma característica natural de liderança e com certeza as competições me ensinavam muito sobre como lidar com crises e principalmente, com o comportamento do ser humano. Aqui vale uma observação. Uma das grandes vantagens de se trabalhar em academias de ginástica é que você pode estar inserido no meio mais egocêntrico que existe na face da terra. Assim sendo, basta observar o comportamento das pessoas que vai tirar lições para vida inteira, sejam elas boas ou não tão boas assim.

Em 2009 consegui a classificação para aquela que é considerada a corrida mais difícil do mundo, a ultramaratona Badwater. São 217km correndo no Vale da Morte, deserto de Mojave na Califórnia. Apenas 100 atletas ranqueados são convidados para participar e depois de muito esforço consegui estar entre eles.  Conclui a prova abaixo de 48h e voltei pra casa com o “Buckle”, uma fivela estilizada de honra para aqueles que conseguem o feito.

No retorno ao Brasil fui convidado para ministrar uma palestra motivacional na empresa de um aluno do qual era professor. Daí para frente não parei mais. A palestra “Desafiando seus Limites” já ultrapassou as fronteiras e estimo que mais de 200 mil pessoas já assistiram. Tenho uma agenda extensa e com isso também consegui belos contatos com patrocinadores e apoiadores, que me deram a oportunidade de praticamente viajar o mundo competindo.

Hoje tenho uma assessoria esportiva online, chamada Ultra Bonatto Team, com alunos no Brasil e no exterior, gerencio uma rede de academias em Curitiba, a Studio Corpo Livre, com mais de 4.000 alunos e 150 colaboradores, ministro cursos técnicos na área, palestras motivacionais em empresas e consegui arranjar tempo para ter dois filhos e esposa. Ufa, acho que consegui contar um pouco da minha história.

Agora você pode estar imaginando que tudo foram flores pelo caminho e posso te dizer que encontrei muito mais espinhos. O sucesso depende de muitos fatores, mas acredito que algumas características são fundamentais, tanto no esporte quanto no meio empresarial. Vou compartilhar um texto que escrevi a poucos dias, logo após um grande evento que realizamos em nossa academia. No calor da emoção acho que saiu alguma coisa boa:   

“Então você quer ter sucesso? Deixa eu te contar um pequeno detalhe sobre isso...sucesso tem a ver com constância, com doação, com abrir mão de muitas coisas em torno de um objetivo...acordar cedo, ser persistente, não desistir, mesmo quando o mundo está contra você...tem a ver com disciplina, fazer aquilo que deve ser feito, sem esperar nada de ninguém, FAÇA! Chegar lá vai ser muito difícil, sabe por que? Porque SUCESSO É UM ESPORTE PARA POUCOS.” 

Esporte afasta as crianças das drogas, cria pessoas mais fortes, profissionais persistentes e vencedores. Esporte é vida, saúde, emoção, alegria, tristeza, derrota, vitória... Na minha humilde opinião, o esporte, de alto rendimento ou recreativo, colabora e muito na busca por metas e objetivos, sejam eles quais forem. Poucas atividades são tão completas, unindo corpo e mente, criando uma sintonia única.

Reafirmando a resposta, realmente não sei como obter sucesso, mas o que sei é que o esporte continua me auxiliando e ensinando nesta busca.

Obrigado pela oportunidade de compartilhar experiências e tenham todos muito sucesso, seja qual for o caminho escolhido!

Raphael Bonatto

  
                                            

terça-feira, 1 de novembro de 2016

SURGE UMA NOVA GERAÇÃO NO TRAIL RUNNING NACIONAL?


Neste último final de semana, entre os dias 28 e 30/10, estive presente na 3a edição da INDOMIT Costa Esmeralda, evento realizado entre belas praias e morros do estado de Santa Catarina, incluindo Porto Belo, Bombas e Bombinhas. Poderia escrever sobre a paisagem, os detalhes do percurso, clima entre os atletas e muitos outros detalhes, mas o que mais me chamou a atenção foi o resultado na Elite dos 100K masculino. Há tempos que venho observando que sempre os mesmos atletas vencem as principais competições nacionais e a grande maioria deles tem idade acima dos 35 anos. Logicamente que um esporte não pode se renovar se a nova geração não chegar em bom nível competitivo, ou seja, enquanto os "velhinhos" continuarem ganhando não teremos evolução no esporte. Basta observar a média de idade nos Jogos Olímpicos para entenderem o que estou falando. Os jovens são o futuro e precisam começar cedo a praticar para que possam aproveitar o auge de sua performance física. Enfim, não vou alongar o papo por aqui, pois são muitas variáveis.

Vamos falar sobre o resultado da prova. Entre os cinco primeiro colocados, tivemos o Campeão e o terceiro colocado com idade abaixo dos 29 anos. O atleta de São Paulo Carlos Henrique Botelho da Silva tem 25 anos e o carioca Marcus Paulo Escrivani Borges tem 26 anos de idade. De resto, em todas as outas categorias da elite Ultra Trail (100K, 80K e 50K), apenas nos 50K a terceira colocada Luciane de Medeiros tinha idade inferior aos 29 anos.

Como formador de opinião neste esporte cada vez mais praticado, me vejo na obrigação de analisar tais resultados para que possamos bolar novas estratégias para atrair o público mais jovem para as corridas Trail. Acredito muito no papel dos pais, no incentivo desta prática pelos filhos, levando desde pequenos para que possam sentir a experiência. Provas que oferecem a modalidade Kids sempre chamam a atenção e lotam de participantes. Já para os adolescentes talvez a estratégia seja oferecer uma premiação diferenciada sub 20 anos e estimular clínicas de formação pelo Brasil.

No mesmo final de semana tivemos a histórica participação da seleção brasileira de corredores de montanha na modalidade Ultra Trail em Portugal, formada pelos brasileiros Cleverson Luis Del Secchi, Chico Santos, Ivan Pires, Hamilton Miragaia, Lígia Almeida e Cynthia Terra, comandadas pelos experientes técnicos Sidney Togumi e Mariano Moraes. Conseguimos a 13a colocação geral e a honrosa PRIMEIRA colocação da América do Sul. Isso foi histórico e demos o primeiro passo. Um detalhe, adivinhem a idade dos nossos representantes? Nenhum abaixo dos 30 anos de idade. 

Existe também outra razão fisiológica para entendermos a manutenção destes excelentes níveis de performance mundo afora por atletas mais experientes. Na minha próxima postagem vou mostrar uma pesquisa muito interessante realizada no Mundial de Corrida em Montanha de 2007 na Áustria. Alguns atletas conseguem manter altos índices de VO2 máximo e VO2 de limiar mesmo com o passar da idade.

Que venha a nova geração, avante o Trail Running nacional! 

sábado, 15 de outubro de 2016

LESÕES NO ESPORTE


Pessoalmente, os anos de 2015 e 2016 estão sendo de grande aprendizado para minha carreira esportiva. Os problemas com lesões mais graves e limitantes se iniciaram com um desconforto no joelho direito após o XTerra 50K Ilhabela em Setembro de 2015, onde após o km 32, praticamente andei com dores até a chegada. Na época pensei que o problema seria decorrente da alta quilometragem percorrida, porém no mês seguinte participei de uma Ultramaratona em montanha com duração de 6 horas, disputada em voltas de 3,5Km. O vencedor seria o atleta que percorresse a maior quilometragem ou número de voltas dentro do tempo estabelecido.



O trajeto era desafiador, com single tracks, estradas de chão irregulares e altimetria considerável em cada volta, com árduas subidas e principalmente descidas muito íngremes. Dito e feito, após aproximadamente 4 voltas já estava com meu joelho direito completamente inchado e com movimentos limitados, principalmente nas descidas. Com o corpo aquecido e o calor da disputa pelos primeiros lugares, nem pensei em parar e continuei até o final, obtendo uma honrosa terceira colocação. 



Minha programação seria disputar outra competição de Ultra 12h no mês de Dezembro, como preparação para a Brazil 135, Ultramaratona de aproximadamente 260km, disputados em meio a Serra da Mantiqueira, com um desnível absurdo de mais de 20.000 metros. Na minha opinião a competição mais difícil do país nesta modalidade.
Após a Ultra de 6h, abortei a missão em relação a participação na Ultra de 12h em Dezembro, para que pudesse tratar do joelho direito. Fui ao médico, fiz a ressonância magnética e foi constatada uma tendinite patelar (tendinopatia patelar proximal). O tratamento foi feito com corticoides, relaxantes musculares, alongamento e fortalecimento. Lembrando que NÃO SOU MÉDICO, ou seja, segui as orientações de um profissional qualificado. Senti rápida melhora e em menos de duas semanas voltei a treinar corridas de leve, com baixo volume e intensidade, principalmente na grama e esteira. Foram aproximadamente dois meses e meio me preparando para a Brazil 135 que aconteceria em Janeiro de 2016 e nunca na vida cheguei tão bem preparado para uma competição de alto rendimento.

Logicamente que uma prova de 260km apresenta muitas surpresas, mas larguei num ritmo confortável e segui em frente, liderando a prova por 90km, até que fui ultrapassado pelo segundo colocado. Até ai tudo bem, fazia parte do plano segurar um pouco o ritmo antes do anoitecer, o que não fazia parte do plano seriam as MESMAS dores no joelho que surgiram após uma longa descida. Sem a mínima condição de continuar, mas com muita vontade de brigar pelo título, agonizei até o o km 120, onde abandonei a competição pela metade.


Retornei para Curitiba e resolvi tratar da mesma maneira que tratei da primeira vez, imaginando que não seria necessária uma reconsulta para analisar um problema o qual já conhecia. Além disso, mesmo com o fracasso na Brazil 135, enviei uma aplicação e fui aceito para participar pela segunda vez da Badwater, Ultramaratona de 217km, considerada a corrida mais difícil do mundo, realizada no Vale da Morte na Califórnia sob temperaturas que ultrapassam a casa dos 50°C. 

Me empolguei novamente e logo coloquei outra Ultra de 12h, que seria realizada no mês de Maio no calendário, desta vez disputada numa pista de atletismo com voltas de 360m. Seria uma ótima oportunidade de trabalhar a concentração e todos os aspectos psicológicos que envolvem uma competição deste tipo e teria um bom tempo para tratar das lesões e voltar forte. 
Com foco total na Badwater, passei Fevereiro, Março e Abril, fortalecendo, alongando, indo para a fisioterapia e tomando a medicação necessária. Sentindo a melhora, fui confiante para a Ultra 12h de Quatro Barras/PR no inicio do mês de Maio. 

A prova apresentava atletas de excelente nível técnico e consegui correr por 10 horas na liderança, quando senti o ritmo imposto e acabei caindo para quarta colocação ao final da prova. Fiquei muito feliz com o resultado pelo fato de não ter sentindo nenhum tipo de dor ou desconforto no joelho direito que vinha apresentando problemas. Com isso, resolvi que era a hora de descansar e voltar com tudo, treinar bem para fazer bonito na Badwater. Incluir competições menores no calendário como forma de preparação para competições principais, na minha opinião, é sempre muito bom para reajustar seus treinos e analisar os caminhos que estamos trilhando, além de nos colocar em "situação real de jogo". Durante os treinos mais longos visando a meta principal de Julho, comecei a sentir novamente as dores, só que desta vez nos dois joelhos. Como já estava em fase final de preparação (faltavam aproximadamente 3 semanas para a prova), resolvi que seria melhor parar até a data da competição, mesmo que isso prejudicasse meu rendimento.

No dia 13 de Julho, às 22:00h largamos na noite do Deserto de Mojave. Sempre que alinhamos na largada de uma competição de tão alto nível como a Badwater parece um sonho. Os melhores atletas do mundo estão ali do seu lado. Muitos deles você só vê nas revistas e em documentários, aquilo é irreal, esquecemos de todas as dores e limitações, podem ter certeza. Iniciamos num pelotão com aproximadamente 5 atletas. Estávamos eu, Harvey Lewis, Pete Kostelnick, Carlos Sá e outro italiano que não me recordo o nome, num ritmo confortável e encaixado, em torno de 4:20 / 4:30 por km. Para uma prova de 217km em condições severas este ritmo é muito forte. Desta maneira segurei um pouco e o pelotão por incrível que pareça também recuou. Fiquei me achando "o cara" no meio das feras, foi muito engraçado. Estufei o peito no meu 5:1 e ali fiquei, extremamente feliz! Só que a alegria durou apenas 40km, pois meus dois joelhos começaram a se manifestar novamente com dores insuportáveis, desta vez parecia que tinha duas facas quentes entre os meus ossos. Consegui andar quase que me arrastando por mais 10km e novamente abandonei. Acredito que esta tenha sido a maior decepção esportiva que já tive na vida, pois sentia que poderia acompanhar o pelotão na questão cardiopulmonar, mas não tinha a menor chance com minhas articulações. Fora o dinheiro investido...melhor nem lembrar disso.

Retornando ao Brasil era a hora de visitar novamente o Doutor. Ressonância dos dois joelhos e agora os problemas eram mais graves:


- Derrames articulares;
- Condropatias patelares com fissuras condrais se estendendo as camadas mais profundas;
- Tendinopatias patelares;
- Ligamento colateral medial normoinserido com edema das partes moles adjacentes;
- Gordura de Hoffa;
- Cistos, etc.

Resumindo, arrebentei os meu joelhos, certo? Errado. Ouvi do médico que dentro da carreira esportiva que desenvolvi isso não era nenhum aspecto anormal e que se parasse por um tempo e tratasse novamente com fortalecimento, alongamentos e medicação poderia voltar a correr em pouco tempo. Pois então foi o que eu fiz mais uma vez. Segui para a academia, aulas de alongamento, Pilates e repouso. Lá se foram mais 45 dias até o retorno.


Voltei numa Maratona de Montanha realizada na cidade de Governador Celso Ramos/SC. Consegui finalizar o desafio em 5:33h, sofrendo muito nas descidas com medo de me machucar novamente, porém subindo bem e mantendo excelente pace nos trajetos planos. Ganhei confiança e duas semanas depois já estava competindo novamente em outra prova de 24km em montanha, obtendo o quarto lugar da competição e sem dores. Pensei comigo, agora vai! Como estou pré-inscrito para a Brazil 135 novamente, resolvi encarar uma competição de 100km, toda em estrada de chão, o que oferece alta quilometragem, instabilidades, serras íngremes, corrida na madrugada, sistema de apoio similar, enfim, um excelente treino.
 Esta competição foi realizada na noite de ontem, 14 de outubro de 2016 e cá estou eu, para comunicar que meus joelhos não aguentaram nem 20km neste ambiente. Realmente já não sei mais o que fazer. Fui ao médico, fiz os exames, segui os prazos prescritos, sem sucesso. Acredito que preciso de maior tempo de recuperação sem impactos e, mesmo assim tenho dúvidas se conseguirei retornar a correr. Caso seja possível, terei que optar por terrenos regulares e distâncias menores, abdicando do tipo de competição que mais gosto, as corridas de montanha. Principalmente a Brazil 135, prova que mudou a minha vida e a qual eu tenho uma conexão divina.
Amigos, se eu puder dar um conselho pra vocês é, respeitem o seu corpo, suas dores e limitações, pois nada é mais sagrado que sua saúde. Agora é levantar a cabeça e tentar não desistir, pois esta palavra não faz parte do meu dicionário.

Um grande abraço e espero revê-los pelo caminho. 




quarta-feira, 22 de junho de 2016

ESTRATÉGIAS DE VELOCIDADE EM ULTRAMARATONAS

Um dos assuntos que mais me chama a atenção dentro dos estudos das Ultramaratonas, é a respeito das estratégias que os atletas utilizam. São muitas as dúvidas com relação a alimentação, tipo de equipamentos, estudo da prova, clima, entre outras que frequentemente passam por nossas cabeças. As respostas até então, pelo menos pra mim, eram sempre muito empíricas, sem um embasamento de artigos ou livros que realmente comprovassem aquilo que eu pensava. Entrando mais a fundo em minhas pesquisas, achei um artigo SENSACIONAL que tenho que compartilhar com vocês. 
Por que acho este artigo SENSACIONAL? Porque foi simplesmente uma análise de pesquisadores australianos, canadenses e franceses, dentro da maior Ultramaratona em montanhas do mundo, o ULTRA TRAIL DU MONT BLANC. Além disso é super atual, publicada no dia 21/12/2015. Quer mais ou tá bom assim?

"The Dynamics of Speed Selection and Psycho-Physiological Load during a Mountain Ultramarathon."
Hugo A. Kerhervé, Guillaume Y. Millet, Colin Solomon

Traduzindo:

“As dinâmicas da seleção de velocidade e carga psicológica/fisiológica durante uma Ultramaratona em montanha.”

Em resumo, a preparação para uma Ultramaratona em montanha inclui analisar as variações de elevação, superfície, obstáculos, altitude, áreas remotas, solidão, condições atmosféricas adversas, equipamentos, entre outros fatores que podem alterar de forma significativa o pace (velocidade média) dos atletas, principalmente se compararmos com eventos de rua ou planos.
Tecnicamente, esperamos que a intensidade do exercício durante Ultramaratonas seja regulada através do resultado no desenvolvimento da tensão psico-fisiológica gerada e a antecipação das dificuldades esperadas. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi investigar as dinâmicas de velocidade, frequência cardíaca e esforço percebido durante uma Ultramaratona longa em montanha. Os participantes foram recrutados dentre competidores já experientes, para competirem numa Ultramaratona em montanha de aproximadamente 167 km, com 10.000 m de desnível total, a famosa ULTRA-TRAIL DU MONT-BLANC (UTMB), que acontece todos os anos em Chamonix na França e sonho de muitos atletas mundo afora. Inicialmente, 19 atletas do sexo masculino, concordaram em participar da pesquisa, porém somente os 15 finalistas foram incluídos no estudo. A idade dos atletas variou entre 33 e 53 anos, altura entre 1,72 m e 1,84 m e peso entre 66 kg e 82 kg. No ano pesquisado, devido a problemas climáticos, a distância foi diminuída para 106 km, com desnível total de 5870 m. 

Velocidade (GPS), inclinação (GPS), frequência cardíaca (monitor) e classificações de esforço percebido (dissociadas entre fadiga geral e fadiga dos extensores de joelho, analisadas com um gravador de voz), foram mensuradas durante a competição. 
Em todos os 07 CHECK POINTS, ou seja, aproximadamente 16 km, foram analisadas as velocidades auto selecionadas em três gradientes (plano, negativo e positivo), frequência cardíaca, classificação de esforço geral e dos extensores de joelho. 

Resultados:
Os participantes completaram a prova em 18.3 ± 3.0 h, para uma distância total calculada em 105.6 ± 1.8 km. A velocidade em todos os estágios analisados caiu. Durante todo o evento a frequência cardíaca também caiu de forma significativa na maioria dos participantes, mas não em 100%. A percepção de esforço geral e dos extensores de joelho aumentaram durante o evento.

Conclusão:
Os participantes de Ultramaratonas em montanha combinam estratégias de pacing positivas (a velocidade caiu entre 70% e 90% durante o evento), um aumento de velocidade nos últimos 10% da prova, um decréscimo de frequência cardíaca (FR caiu entre 70% e 90% do evento) e aumentos da percepção de esforço geral e nos extensores de joelho nos últimos 30% da competição.
Uma perda maior de velocidade e menor tempo parado foram fatores associados com o aumento de performance. Estes resultados podem ser explicados por perspectivas teorias de um complexo sistema regulatório motor em antecipação das dificuldades percebidas, como por exemplo os ganhos de elevação.

Com o resultado deste estudo, fico mais tranquilo com relação as minhas estratégias pessoais e com meus alunos nas competições, largando um pouco mais forte e fazendo a manutenção da velocidade na segunda metade da prova. Perder tempo nos PC´s claramente também não é um bom negócio. Lógico que cada indivíduo, cada prova e suas condições devem ser estudadas a fundo para que você possa montar sua melhor estratégia, pois não adianta se matar no inicio e não aguentar manter, ou seja, "queimar a largada". Tudo deve ser planejado e estudado, mas se posso te dizer uma coisa é: treine da maneira correta para que consiga largar forte e manter no final. Quer um exemplo:
10' aquecimento + 8 Ladeiras de 3'00" x 3'00" (sobe forte/desce trote) + 20' ritmo forte + 10' desaquecimento. Treino de 1:30h com bastante qualidade e que vai te ajudar muito nas montanhas!

Para quem se interessar, o artigo pode ser acessado na íntegra pelo link: https://drive.google.com/open?id=0B6gvbC11fDJZUkxlZGF2N1ZPZ28. Gostaria de deixar meu contato também para dúvidas e sugestões, compartilhar conhecimento e ideias nunca é demais: contato@raphaelbonatto.com.br

Grande abraço a todos e bons treinos!


sexta-feira, 3 de junho de 2016

ESTUDOS SOBRE CORRIDAS EM MONTANHA - DESCIDAS

No dia 14/05 estive em Gaspar/SC ministrando uma Clínica de Corrida em Montanha a convite da Ultra Trail Eventos dos amigos Maicon Cellarius, Débora Wanderck e Mauricio Pamplona. Apesar da abordagem técnica, o público foi diverso, com profissionais da área de educação física, corridas de aventura e atletas. Falamos sobre métodos de treino, técnicas, montagem de ciclos, periodização, equipamentos utilizados, provas específicas, entre outros diversos assuntos.
No próximo final de semana (04/06) fui convidado novamente para ministrar uma palestra na primeira Clínica de Capacitação em Trail Running promovida pela TRC Brasil, empresa da qual fui um dos fundadores. Teremos grandes nomes participando como Leticia Saltori, Marco Piazza, Cid Araújo, Marcelo Sinoca, Daniel Junior e Ricardo Beraldi, cada um abordando temáticas diferentes. Fiquei muito contente com o convite, pois novamente irei poder compartilhar experiências com Profissionais de Educação Física de outras cidades e estados.
Como esta demanda vem crescendo muito, acredito que exista interesse também em estudos recentes publicados sobre o assunto. Estou envolvido num projeto desenvolvido pelo Prof. Dr. Raul Osiecki, responsável pelo CEPEFIS - Centro de Estudos da Performance Física da Universidade Federal do Paraná. Nosso objetivo será entender melhor as metodologias de treinamento e respostas dos atletas dentro de inúmeras variáveis que este esporte específico compreende.
Nesta primeira fase de revisão bibliográfica estou tendo acesso a alguns artigos e vou procurar compartilhar alguns com vocês. A maioria está escrito em inglês, então vou traduzir e tentar explicar resumidamente alguns deles por aqui.
O primeiro deles foi publicado recentemente, no dia 08 de Abril de 2016 pelo Journal of Biomechanics ou Jornal da Biomecânica www.jbiomech.com. Escolhi este estudo pelo fato de conter um tema super interessante a todos os praticantes da modalidade e também por ser extremamente recente:

"Foot strike pattern differently affects the axial and transverse components of shock acceleration and attenuation in downhill trail running." 
Giandolini M, Horvais N, Rossi J, Millet GY, Samozino P, Morin JB.

Traduzindo:

"Tipos diferentes de pisada afetam os componentes axiais e transversais da aceleração do choque e atenuação numa descida trail running."

Resumindo: Os autores procuram verificar se o tipo de pisada aumenta ou diminui o impacto e seus efeitos numa descida íngreme na corrida de montanha, principalmente no que diz respeito ao aumento do risco de lesões ou fraturas por stress nos ossos dos membros inferiores.

O tipo de pisada é reconhecidamente um dos fatores que influenciam no impacto severo e na cinemática dos membros inferiores. A proposta do estudo foi analisar como estes diferentes tipos de pisada afetam os componente axiais e transversais na aceleração e atenuação durante uma descida intensa.
Foram analisados 23 (vinte e três) Trail Runners durante uma descida intensa de 6.5 Km e desnível negativo de -1264m, o mais rápido possível, Quatro acelerômetros tri-axiais foram colocados nos calcanhares, metatarsos, tíbia e sacro, analisando o movimento em seis diferentes sessões. As acelerações dos calcanhares e metatarsos foram utilizadas para identificar o tipo de pisada. Já as variáveis de impacto axial e transverso durante as acelerações, frequências médias e atenuação do impacto foram acessadas entre a tíbia e o sacro.
O estudo mostrou que a pisada do tipo anterior foi associada aos picos máximos de aceleração axial e frequência média na tíbia, menores frequências médias na tíbia e sacro e menor aceleração transversal no sacro. Com a aceleração resultante da descida, observou-se um aumento da frequência medial na tíbia e diminuição do pico de aceleração no sacro, a qual foi observada aumento quando utilizada a pisada posterior (calcanhares). Com isso ficou evidente que o tipo de pisada afeta de diferentes formas os impactos e seus efeitos durante a aceleração numa descida íngreme durante corridas de montanha.
Conclui-se que, globalmente, a atenuação das vibrações do impacto e seus efeitos são melhor observadas usando a pisada do tipo anterior.

Analisando este artigo, que logicamente deve ser acessado de forma completa e detalhada para que cada um tire suas próprias conclusões, ficou claro que a pisada do tipo anterior protege mais nossos ossos da tíbia e sacro. Observamos um aumento destes impactos quando utilizamos a pisada posterior, caindo com os calcanhares. Note que o artigo não leva em conta efeitos musculares e sim ósseos,

Um excelente artigo escrito em Julho de 2013 pelo ultramaratonista e técnico Manuel Lago para o site Web Run (http://www.webrun.com.br/h/noticias/aprenda-a-descer-trilhas-nas-corridas-de-montanha/14935) mostra alguns aspectos importantes que devem ser levados em conta durante as provas e treinamentos de aperfeiçoamento de suas técnicas de descidas para corridas de montanha. Vale a pena conferir.

Enfim, como técnico e atleta o que posso dizer é que quando mais rápido e leve você descer, menor será o desgaste. Se você treina em alguma assessoria esportiva ou academia que possui aparelhos de exercícios funcionais, peça para que seu Professor utilize bastante exercício de propriocepção, coordenação motora, pliometria e agilidade nos seus aquecimentos. Logicamente que dentro de uma programação e sem exageros. Isso vai te ajudar bastante quando cair na realidade, mato fechado, descidas íngremes, pedras, etc. Caso não tenha uma assessoria, algumas dicas para quem treina nas cidades é correr sobre a calçada, saltar pequenos obstáculos, escolher trilhas secundárias em parques, correr sobre o trilho dos trens (com segurança e atenção!), subir e descer escadarias, etc.
Agora, existe um princípio do treinamento desportivo que levo muito em consideração: PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE. Pode ter certeza de que quanto mais você subir ou descer numa montanha, mais forte, rápido e ágil vai ficar, até mesmo nos seus treinamentos de rua.

Pessoal, é isso, espero que tenham gostado e aceito suas opiniões. Maires informações pelo e-mail contato@raphaelbonatto.com.br ou pelas mídias sociais.

Um grande abraço a todos!


quarta-feira, 11 de maio de 2016

ULTRA 12h - QUATRO BARRAS/PR

No último sábado, dia 07/05/2016, aconteceu na pequena cidade de Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba/PR, a primeira edição da Ultramaratona 12h/6h/3h com a organização dos ultras Síria Costa e Rodney Wenke e apoio da Prefeitura local. A prova foi realizada numa pista de atletismo asfaltada, porém com algumas irregularidades e extensão de 390 metros. Numa contagem simples da quantidade de voltas através de um sistema de chip eletrônico, o vencedor seria o atleta que percorresse a maior quilometragem no período proposto.
Tive uma boa noite de sono anterior à data da competição, acordei um pouco atrasado, porém como tudo já estava organizado, tomei meu café da manhã composto de duas fatias de pão, queijo branco, requeijão, presunto e um belo café com leite. Chegamos pontualmente às 6h da manhã, encontramos um bom local coberto para nossos equipamentos de apoio e aguardamos para a largada que seria pontualmente 7h.
Comecei num ritmo confortável, tentando segurar o máximo possível. Rapidamente já consegui observar que meus principais adversários estavam um pouco mais lentos e tentei segurar ainda mais, sem sucesso. Fechei a primeira Maratona para exatas 3:10h, ritmo de 4'30" por km. Olhei o relógio mas permanecia inteiro, sem sequer uma dor muscular ou desconforto. Diminui ainda mais a velocidade e comecei uma nova estratégia, intercalando caminhadas e corridas, com o intuito de baixar a média de quilômetros por hora e também manter boa distância sobre o segundo colocado, que naquele momento era o grande amigo Itamar Góes.  
Desta forma consegui fechar a segunda Maratona em 3:50h, totalizando 84km em 7h de prova. Continuei desta maneira, sempre mantendo 7 voltas de distância para o segundo colocado e 9 voltas para o terceiro até os 100Km, onde passei com 9:26h. A partir deste momento já comecei a refazer minhas contas, pois minha meta pessoal era fazer 120km nas 12h, uma boa quilometragem para quem estava retornando de duas tendinites graves nos dois joelhos. Consequentemente minha ideia era estar posicionado pelo menos entre os três primeiros colocados, devido ao nível dos atletas inscritos.
Se continuasse mantendo a média de aproximadamente 10,5 km por hora, faria mais ou menos uns 25 a 26 quilômetros até o final, o que daria em torno de 125km, um pouco a mais do que o planejado.
Então decidi diminuir ainda mais a velocidade e colocar a vantagem sobre o segundo colocado em risco. Com 10h de prova passei a caminhar uma volta e correr uma volta. Com 11h de prova estava com apenas uma volta de vantagem sobre o Itamar, quatro sobre o terceiro colocado, João Millani e 10 voltas sobre o quarto Cleverson Pohlod. Verifiquei que todos eles aumentaram o seu ritmo na última hora e eu praticamente desmoronei, cansado, sem ritmo de prova, mas feliz da vida porque não sentia dores, apenas cansaço geral. Tentava pelo menos ficar andando na pista para não desaquecer e também para perder o mínimo possível de colocações, mas não foi o suficiente. Todos conseguiram me ultrapassar e acabei na quarta colocação, com o querido amigo Mauricio Pamplona na quinta posição.
Foi uma prova muito bem organizada, super indicada para os amantes de ultramaratonas e que espero poder retornar no ano que vem. Pessoalmente fiquei feliz com o resultado e agora sim, na certeza do caminho que estou levando tanto na recuperação das minhas lesões quanto na metodologia de treinamento. Agradeço imensamente a todos os atletas que me saudaram durante a prova e à minha equipe, Carol e Rick, sem vocês não sou ninguém!
A próxima meta será dia 12/06 em Brasilia, na tentativa de um bom tempo, em torno de 8:30h, nos 100km da Volta ao Lago da Caixa. Nos vemos por lá!
 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

COMPETIÇÕES PREPARATÓRIAS - BADWATER 2016


Este último mês foi de grande valia na preparação para a Badwater, pois consegui ter uma excelente regularidade nos treinos e principalmente diminuir em 80% as dores que vinha sentindo nos meus joelhos. Devo muito ao trabalho específico que estou realizando no Crossfit e nas Academias Studio Corpo Livre (www.studiocorpolivre.com.br), com a Coach Carol Leinig que foca no fortalecimento geral da musculatura e também ao trabalho de fisioterapia realizado no IPRAE (Inteligência em Prevenção e Reabilitação Aplicada ao Esporte), sob a tutela do Dr. Cid Araújo. Estou conseguindo girar grandes distâncias num pace muito bom e com isso a confiança vem aumentando. Agora precisamos testar pra valer e voltar a competir para entender melhor e avaliar os resultados dos treinamentos.

No próximo dia 07 de Maio estarei competindo na Ultramaratona 12h da cidade de Quatro Barras no Paraná. Escolhi esta prova por algumas razões, dentre elas valorizar uma competição realizada dentro do meu estado. Outra importante razão é o trabalho psicológico que poderá ser testado com alto grau de dificuldade, pois a corrida acontecerá numa pista de atletismo com apenas 360m. Ficaremos o tempo todo dando voltas em torno da pista e isso leva o atleta a exaustão não só física, mas também mental. Nada melhor do que isso para treinar a cabeça!
Já no dia 12 de Junho embarco para Brasília disputar a Volta ao Lago, ultramaratona de 100Km que reúne os melhores ultramaratonista do Brasil. Para esta prova meu foco será em velocidade e performance. Pretendo simular bem o que estou planejando fazer na Badwater, os primeiros 100Km em até 12 horas. Como em Brasilia não teremos o calor do deserto, minha meta será chegar em até 10 horas.     


Estou treinando e vou competir em Quatro Barras com o tênis 361° Spire, modelo que proporciona excelente conforto e amortecimento dos impactos, além de malha respirável e perfeito ajuste nos pés. Este e outros modelos da marca 361° você encontra nas lojas Território Mountain Shop ou pelo site www.territorioonline.com.br. O planejamento nutricional ganha nova e forte parceria com a Dra. Janaína Porto Alegre (www.janainaportoalegre.com.br) da cidade de Florianópolis/SC. Tive o prazer de conhecê-la durante uma palestra na Ilha da Magia e além de atleta, ela é super competente, acompanha diversos atletas de elite e por esta razão fechamos a parceria. A suplementação fica por conta da sempre completa loja de suplementos esportivos Cabana do Atleta (www.cabanadoatleta.com.br). 

Seguimos em frente. As passagens aéreas já estão compradas, visto renovado e os treinamentos em dia. Faltam apenas 12 semanas para o embarque e o tempo passa muito rápido, não podemos perder o foco. Desejo a todos bons treinos, boas competições e espero vê-los pelo caminho. Grande abraço!

segunda-feira, 21 de março de 2016

CAMINHO PARA BADWATER 2016

Para aqueles que não sabem, a BADWATER foi considerada a corrida mais difícil do planeta pelo National Geographic em 2009 como vocês podem ver aqui http://adventure.nationalgeographic.com/2009/03/top-ten-toughest-races-text/1. Consiste numa ultramaratona de 135 milhas ou 217km, saindo do ponto mais baixo das Américas, a Badwater Basin situada 89m abaixo do nível do mar e finalizando no portal do Mount Whitney, 2.530m acima do nível do mar. Como se já não bastasse a distância e as elevações, tudo isso acontece em meio ao Death Valley na Califórnia, num deserto que pode facilmente ultrapassar os 50°C com umidade relativa do ar próxima de zero.
Em 2009 tive a oportunidade de finalizar este desafio e conquistar, além da medalha, o famoso Buckle, que honra aqueles que conseguem completar abaixo de 48h. Porém, ficou um gostinho de quero mais, pois com certeza não consegui fazer o meu melhor por diversas razões. Enfim, cá estou novamente classificado e com muita vontade de fazer bonito representando o meu país. No quesito corrida nunca estive tão bem em toda minha vida, o que vem me atrapalhando são lesões constantes nos joelhos das quais não consigo me livrar. Já sei qual é o problema, consultei os médicos especialistas e agora estou em fase de tratamento com o fisioterapeuta e educador físico Cid Araújo na IPRAE (Inteligência em Prevenção e Reabilitação Aplicada ao Esporte), além de trabalhos específicos para manutenção do condicionamento aeróbio e fortalecimento muscular com a Personal Trainer e amada esposa Carol Leinig nas Academias Studio Corpo Livre e Crossfit Barigui de Curitiba. Espero voltar aos poucos a correr, pois preciso estar 100% para não termos o risco da lesão retornar ou até mesmo criar algum novo problema. Enquanto isso vamos acertando os detalhes e logística da viagem e também compartilhando meus treinamentos e, espero, bons momentos com vocês por aqui. Boa semana e bons treinos a todos, grande abraço!
 

quinta-feira, 3 de março de 2016

CORUPÁ EXTREME MARATHON

Aconteceu no último dia 27 de fevereiro a incrível CORUPÁ EXTREME MARATHON. A prova se dividiu em 3 distâncias: 12K, 23K e 50K e contou com a presença de alguns dos maiores do cenário Trail Running brasileiro.
Saímos de Curitiba no final da tarde de sexta-feira, dia anterior a competição. Seguimos em direção à Corupá, quase 200Km distante de Curitiba, eu, Cláudio Lazzarotto e Geison Ignácio, Logo que chegamos, perto das 20h já sentimos o "bafo quente" que nos recepcionava. Corupá é situada num vale, as temperaturas são altas no verão e a unidade relativa do ar lembra muito a Amazônia. Jantamos rapidamente e nos dirigimos ao local da entrega de kits e conferência técnica, o lindo Seminário. Lá também iríamos pernoitar. Fizemos o social e fomos arrumar as coisas para dormir. O calor era praticamente insuportável e dormimos no meio do corredor, onde pelo menos conseguíamos uma brisa e vento fraco, mas que já ajudava.
Ao acordar perto das 6h da manhã, os atletas dos 50K, incluindo o Geison, já haviam deixado o alojamento e iniciavam sua dura jornada. Eu e o Cláudio arrumamos os últimos detalhes, tomamos um belo café da manhã e partimos ao local de largada, que aconteceria as 8h da manhã, já com as temperaturas elevadas do vale.
Vale descrever um pouco mais o Seminário. Logo ao despertar pude observar melhor as belas cores e paisagens do local. Um prédio antigo e imponente, com muitos corredores largos que levam aos diversos alojamentos existentes. Sua natureza é exuberante, digna daqueles cenários de filmes.
Eu participei da prova dos 23K por duas razões: primeiro porque estou me recuperando de uma lesão no joelho e segundo porque achei que a listagem de atletas seria um pouco mais fácil na concorrência. Grande engano, na minha opinião os 23K estavam mais fortes em nível dos atletas do que os 50K. Vários que poderiam disputar bem a maior distância optaram por participar da distância menor, seja por lesão, recuperação ou treinamento específico para alguma outra prova.
Largamos e logo vi que seria pedreira. Os dois primeiros quilômetros são de paralelepípedo e asfalto. O primeiro pelotão abriu um pouco de distância com 3 atletas, Serginho, Cristiano Ribeiro e outro que não conhecia. Fiquei posicionado no segundo pelotão com o Leonardo Meira, Rodrigo Neves e a Leticia Saltori. Foi quando olhei para o meu GPS e o primeiro quilômetro fechou em 3:32min/km. Pensei comigo mesmo, "tá forte demais", mas sabia que se diminuísse no inicio ficaria muito para trás nas trilhas. Batemos o segundo quilômetro para 3:35min/km, o terceiro para 3:48min/km e a estrada de chão começava com sobes e desces. O pior quilômetro foi o quinto, onde mesmo subindo fechamos para 4:00min/km. Ritmo forte e calor desgastante que provocou desistência de um dos atletas da ponta já por ali.
O primeiro pelotão abriu um pouco mais e segui com o Leonardo Meira e a Leticia Saltori até o Km 08, onde entramos nas trilhas fechadas e íngremes. Comecei a perdê-los de vista e decidi fazer o meu ritmo. A mata de Corupá é selvagem, as trilhas fechadas e em alguns pontos subíamos com o auxílio de cordas. Quando passamos pelo Km 10 abria uma outra trilha que descia forte e íngreme. Neste momento eu já pensava em como economizar minha água, pois o calor era muito forte.
Na descida tirei um pouco o pé com medo do joelho apresentar algum tipo de dor e por falta de técnica mesmo, fazia muito tempo que não ia treinar na montanha especificamente. Logo três atletas me passaram muito forte, o Marcelo, Condrati e Gabriel Paim. Bonito de ver os caras descendo!
Alcancei eles um pouco mais a frente, quando entramos nas estradas de chão mas não aguentei o ritmo imposto. Consegui ainda reabastecer de água numa mangueira e logo depois levei um tombo. Não notei que perdi uma das minhas garrafas d´água e quando fui tomar levei um susto, pois sem água não haveria como aumentar o ritmo e a performance iria diminuir com certeza. Como eu fui um dos mapeadores desta competição, lembrei que no Km 17 havia uma fonte de água com um chuveiro que saía de um cano. Já estava próximo, então resolvi aumentar o ritmo e chegar logo para tomar aquele banho. Chegando lá, os Staffs estavam muito atentos, recebendo e orientando os atletas, foi demais. Tinha atá Coca-Cola gelada. Sai revigorado para finalizar a competição.
Entramos novamente nas trilhas, atravessamos trechos com lama acima da canela até cairmos no asfalto, o temido asfalto que nos levaria novamente ao centro da cidade. Seriam quatro quilômetros, onde falando com cada atleta que conversei, todos, absolutamente todos "quebraram" no trecho. Parecia que não teria fim. O calor, a umidade e aquele asfalto conseguiram fazer a mistura perfeita para o sofrimento e a dor de alguns dos melhores atletas do país!    
Enfim, consegui finalizar em 2:40h, em 11° lugar e atingi meu objetivo principal: não sentir dores no joelho.
Na minha visão a prova foi perfeita, mesmo com o trecho de asfalto no final, pois quando precisamos de técnica ela deveria ser muito apurada. Nesta competição o atleta deveria ser rápido e resistente para manter sua velocidade no inicio, forte e técnico para administrar o meio com muitas subidas, descidas, lama e partes técnicas e deveria ser um extraterrestre para voar baixo no asfalto quente.
Um detalhe que achei interessante foi que o kit do atleta era "pobrinho" se você pensasse no valor da inscrição, porém a organização foi tão impecável nos Staffs, segurança, marcação, etc. que prefiro não receber nada no kit e contar com provas de nível técnico alto, com segurança e competição de alto nível. Falando com os atletas dos 50K, todos foram unânimes em dizer que foi uma verdadeira Corrida de Montanha.
Parabéns a toda equipe da TRC, aos atletas e aqueles que trabalharam para fazer a Corupá Extreme Marathon. Grande abraço!


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

COMO VENDER PATROCÍNIOS?

Bom, antes de mais nada é importante salientar que tenho formação em Educação Física com especialização em Fisiologia do Exercício, porém trabalhei por dois anos numa das maiores empresas de Consultoria na área de vendas do país, a Sucesso em Vendas, que atende entre outros clientes as Casas Bahia, Ricardo Eletro, FORD, BASF, entre outras empresas.
Interessante foi como entrei nesta vida. No retorno da Badwater em 2009, fui convidado a fazer uma palestra na Cia Athletica, rede de academias na qual trabalhava como Professor de Spinning e corrida na época. O objetivo era somente mostrar aos alunos as imagens e fotos, contando um pouco da história por detrás das câmeras. Porém o que aconteceu é que todos saíram altamente motivados e sugerindo que deveria dar esta palestra em empresas. Por coincidência, um dos proprietários da Sucesso em Vendas era aluno da academia e foi no evento. Logicamente que viu uma baita oportunidade de negócio e na semana seguinte entrou em contato. Para resumir a história, me ofereceu um departamento de marketing que renovou a apresentação, me ensinaram o minuto a minuto, organizando o material de forma que o pensamento flui com mais facilidade e ainda colocaram o meu nome na listagem de "produtos" da empresa, oferecendo as palestras não só para os seus clientes, mas também para outros no Brasil e no exterior. 
O negócio deu tão certo que acabei saindo da Cia Athletica no final de 2010 e atuei na empresa como palestrante e Consultor nos anos de 2011 e 2012.
Com isso aprendi as artimanhas e técnicas de vendas mais eficientes do mercado e aproveitei cada oportunidade. Normalmente são cinco os passos da venda: Abordagem, Pesquisa, Oferecimento do produto/serviço, Neutralização das objeções e Fidelização. Cada fase tem suas subdivisões, mas fazendo o beabá você já terá maiores chances de vender.
ABORDAGEM - Encante o seu cliente logo na primeira impressão. Seja positivo e confiante. Acredite naquilo que vai vender. Uma coisa interessante que noto quando alguns atletas me procuram pedindo auxílio é que nem eles mesmos acreditam que vão conseguir, devido a tantos não que já receberam! Quer saber de uma coisa? Quanto mais não você receber maior a chance de receber um SIM! 
PESQUISA - Procure pelo potencial patrocinador correto! Vamos lá, você é um corredor e vai pedir patrocínio para uma indústria de plástico? Acredite, suas chances vão diminuir muito. Procure por empresas ligadas ao seu mundo e  com histórico de apoios e patrocínios.
OFEREÇA OS BENEFÍCIOS - Sem essa de dizer que sua marca vai aparacer no meu uniforme e blá blá blá...são pouquíssimos atletas que aparecem com grande destaque na televisão. Comece vendendo os benefícios desta forma e perca a venda, a não ser que você seja MUITO famoso! No meu caso ofereço as palestras motivacionais como o grande benefício e desta forma consigo atingir empresas de quase todos os segmentos de mercado. Se conheça, crie oportunidades dentro do esporte que prática de oferecer benefícios reais às empresas que irão te apoiar, não somente a divulgação da marca.
NEUTRALIZE OBJECÕES - 99% das empresas vão te dizer NÃO, ou seja, pense em como este NÂO poderá virar um SIM! Para que isso aconteça você precisa PESQUISAR muito bem a empresa e saber com quem está falando. Vou citar outro exemplo pessoal. O patrocinador sempre diz que a verba desta ano já está comprometida para ações de marketing e ai eu pergunto quais as outras ações corporativas eles realizam. Em caso de palestras para funcionários adivinha quem vai se oferecer? No caso de reuniões da CIPA falando sobre saúde e qualidade de vida adivinha novamente quem vai se oferecer?  No caso de reuniões e/ou encontros de Ginástica Laboral, caminhadas...olha eu podendo participar! Quase que 100% das empresas que eu prospecto fazem este tipo de ação, as outras eu nem procuro porque não terei argumentos suficientes para convencê-los. Não esqueça de sempre reforçar os benefícios!
FIDELIZE - Uma vez patrocinador/apoiador, SEMPRE patrocinador/apoiador. Estabeleça os lações profissionais e cumpra com o que prometeu. Encante os funcionários, gerentes, diretores e sempre terá uma boa recepção.
Resumidamente é isso que faço. Parece simples mas é bem complicado, pois exigem diversos tipos de habilidades de negociação e apresentação. Auxilio a todos que me procuram, envio modelo de projetos, converso pessoalmente, mas observo que pouquíssimos conseguiram concluir a venda. Falta aquele algo a mais de saber ouvir o não e continuar em frente, persistindo e analisando os erros e acertos. Tentar novamente.
Amigos, espero poder ter auxiliado de alguma maneira. Em meu próximo post vou falar um pouco mais sobre o ano de 2009, no qual conclui a BR 135, Badwater e o Desafio das Cataratas no mesmo ano, foi insano!
Grande abraço e caso queiram manter o contato segue meu site e email: www.raphaelbonatto.com.br ou contato@raphaelbonatto.com.br 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

INÍCIO DA SAGA - BRAZIL 135

Pra quem não conhece, a Brazil 135+ é uma competição de ultramaratona com aproximadamente 250Km, percorridos no Caminho da Fé, em meio a Serra da Mantiqueira na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Os atletas tem até 60 horas para percorrerem a distância, mas com um agravante, terão que subir e descer mais de 20.000 metros acumulados nas montanhas. Resumindo, é difícil correr na reta, ou você sobe ou você desce!
Serra dos Limas 2008
Top 10 - 2009
Pessoalmente gostaria de dizer que esta competição mudou a minha vida. Na primeira vez em que participei, no ano de 2008, era um atleta inexperiente em ultramaratonas. Na realidade tinha feito apenas uma prova de 100Km e já me arrisquei na BR 135. Logicamente que o resultado não poderia ser nada bom, abandonei no Km n° 115 com uma fratura no pé, dores e espasmos musculares. Já no ano de 2009 voltei e finalizei entre os top 10. Com esta "vitória" pessoal, me classifiquei para a Badwater, e no mesmo ano consegui o Buckle, honraria concedida aos atletas mais rápidos, que finalizam a prova abaixo de 48h. A Badwater será tema recorrente neste Blog, pois estou classificado novamente para esta grande aventura!

Todos sabemos que correr 217km em meio ao deserto, enfrentando temperaturas acima de 50°C e umidade relativa do ar perto de 0% não é nada fácil, mas no retorno ao Brasil muitas empresas entraram em contato para que ministrasse palestras motivacionais para seus funcionários. Como sou Professor de Educação Física e na época já ministrava aulas em grupo, a comunicação não foi um problema e o "negócio" estourou.
Primeiras palestras!
Com isso minha vida literalmente mudou! Entrei no mundo corporativo, tive oportunidade de viajar todo o Brasil e conheci diversos países, estimulando pessoas a atingirem suas metas e objetivos. Na verdade é a atividade que mais me dá prazer, pois esta troca de energias é sensacional e o resultado visível no olhar das pessoas.
Iniciei alguns projetos pessoais e captei patrocínios para que conseguisse realizá-los e mais uma vez chamei a atenção de algumas empresas de vendas, pois a pergunta que me faziam era: "Como consegue vender tanto patrocínio?" A resposta era: "Faço bons projetos, prospecto patrocinadores e depois encanto!"

Na realidade tem muito mais coisa por trás disso, mas deixemos para a próxima postagem...



...




sexta-feira, 15 de maio de 2015

MUDANÇA DE PLANOS

           No último sábado, dia 09/05, participei da Ultramaratona 50 milhas ou 80Km de Morungaba/SP. Distante aproximadamente 500km de Curitiba, aproveitei a viagem de carro para “observar” o caminho com um pouco mais de atenção, afinal de contas no final de Junho a ideia seria sair pedalando de casa até Passa Quatro/MG. A rota é a mesma até São Paulo, pela Rodovia Régis Bittencourt ou BR 116, e depois serão feitos os desvios. Queria traçar planos alternativos de pouso e alimentação em caso de algum tipo de imprevisto. Enfim, vamos voltar à prova.
      Estudei o mapa do percurso, que infelizmente não apresentava maiores detalhes técnicos e de altimetria, porém já sabia que seria uma prova dura, pois observando os resultados dos anos anteriores, pude verificar que os tempos dos vencedores ficavam muito próximos de 9h de prova, o que é um tempo alto para a distância a ser percorrida no caso da elite. Também sabia que não seriam tantos competidores, mas os quais estariam por lá seriam “casca grossa”.

  Cheguei no final da tarde de sexta-feira, armei acampamento no ginásio de esportes, retirei meu kit, jantei massas e observei pela última vez a previsão do tempo, que apontava para muito calor no dia seguinte. Seria a primeira vez que correria solo sem apoio numa prova desta distância, então procurei me carregar com bastante água (1,5 litros da capacidade da mochila de hidratação + 02 garrafas de 500ml) e os suplementos necessários para manter o corpo na ativa (Ultrox, Protein Sports, sal e géis de reposição). Realmente não queria depender de ninguém, tão pouco da organização. Já tive muitos problemas com pontos de água mostrados nos mapas e que não existia no meio do caminho, o que realmente coloca o atleta em alto risco.

            A previsão do tempo acertou. O sol brilhava forte já no começo da manhã, com céu azul e nenhuma nuvem no céu, um belo dia. Conferi meus equipamentos pela última vez e alinhei na largada. Olhei para os lados e vi pelo menos quatro atletas que poderiam atrapalhar meus planos, a maioria deles com carros de apoio e até com técnico. Concentrei no meu objetivo, escutei o hino nacional e largamos.

  Logo um dos atletas que participava das equipes de revezamento assumiu a ponta e segui atrás numa subida enorme e íngreme. No final desta ladeira de aproximadamente 1km, entrávamos à esquerda numa trilha técnica e deste tipo de terreno eu entendo. Passei rapidamente e assumi a ponta, só não esperava que o zíper dos bolsos da minha mochila estivessem abertos e que todos os géis caíssem no meio do mato. Por sorte o segundo colocado me avisou e parei para “juntar os pedaços”. Organizei tudo novamente e entrei sozinho na mata, que estava muito mal marcada. Todos estavam perdidos já no começo da prova e fui em direção a uma cerca. Chegando lá avisei os demais atletas que não seria por ali, só que pelo caminho uma vespa me pegou no braço esquerdo. O braço inchou na hora e começou a arder muito. Gastei um pouco da água preciosa que carregava comigo para tentar amenizar as dores. Seguimos em frente e fomos encontrando com mais atletas perdidos até que nos acharmos e voltarmos a correr.
  Neste momento estava na terceira colocação, porém correndo com o primeiro colocado das 14 milhas (22.5Km), um atleta rápido que imprimiu bom ritmo de prova. Resolvi acompanhá-lo e novamente nos perdemos. Fiquei muito irritado, pois havia uma seta levando para a direita e segundo a organização não deveríamos seguir setas e sim fitas, que novamente não existiam. Lá se foram mais uns 10 minutos perdidos. Voltamos o caminho e avistamos alguns atletas de longe. Para resumir a história, voltei à prova na última colocação.
          Sem problemas, ainda tinha mais uns 70 quilômetros para me recuperar, só que o ritmo deveria ser outro, correndo forte para não perder nem mais um minuto. Pouco a pouco fui alcançando os atletas e ultrapassando com cautela, nada de exagerar no inicio. Fechei a primeira Maratona em 4 horas, dentro do esperado e com certa tranquilidade. Neste momento me encontrava na terceira colocação e não sabia qual era a distância para os dois primeiros colocados. Contava com o apoio de alguns carros de outros atletas do revezamento que passavam e me abasteciam de água ou carros da organização que faziam a segurança dos corredores. Mantive o ritmo e quando foi lá pelo Km n° 45 avistei o segundo colocado. Me empolguei e desci forte, seguindo as fitas e buscando o adversário. Foi então que veio a terceira surpresa do dia. Estava perdido novamente. Fiquei transtornado, indignado, pra não dizer outras palavras, pois as fitas de marcação apontavam na direção errada. Reclamei com a organização e eles me pediram que entrasse no carro para me levar até o ponto onde aconteceu o erro. Já dentro do carro, com o ritmo totalmente modificado, senti câimbras e dores, sorte que foi rápido. Ao descer, lembrei dos atletas que estavam a frente e avisei para que fossem buscá-los. O segundo colocado parece que desistiu da prova por conta deste erro. Os atletas do revezamento continuaram e me ultrapassaram alguns quilômetros depois.
            Recebi a noticia que o primeiro colocado, o qual já havia feito a prova em anos anteriores, não errou o caminho e continuava na frente, mas não sabia qual era a distância. O calor ficou mais intenso e as subidas cada vez mais fortes. Do Km n° 50 até o Km n° 55,5 fiz em 1 hora caminhando morro acima num ritmo frenético. Ninguém conseguia correr naquele nível de inclinação. Ao final desta subida só queria sombra e água fresca, porém ainda faltavam 25km.
      Concentração e foco, este é o segredo para não desistir mesmo sob as piores condições. Chegamos a um bairro chamado Areia Branca e pensei que iria encontrar pelo menos um bar, supermercado, qualquer coisa para que pudesse comprar água ou refrigerante. O bairro tinha uma escola e uma igreja, que por sorte estava promovendo um evento. Pedi e fui atendido com água gelada da torneira. Fiz a reposição de energias e segui em frente. Mas como o ditado diz: tudo que sobe, desce.
          E a descida era longa e íngreme, foram alguns Km´s descendo e o balanço corporal aumentou, o que provocou enjoo e vômitos. A primeira vez que vomitei foi no km n° 62. Com a experiência adquirida ao longo dos anos de ultra, sei que tenho que reidratar de forma eficiente após vomitar. O problema é que não tinha mais água e já estava a mais de uma hora sozinho no meio do nada. Iniciei a estratégia de sobrevivência, economia total de energia. Com isso caminhava mais e corria menos, até que encontrei uma humilde residência que me forneceu a água necessária para que pudesse concluir o desafio.

        Com exatas 40 milhas ou 64 quilômetros, tentei reiniciar uma corrida mais forte e vomitei novamente. Voltei a andar em outra longa subida e ai veio a surpresa, o então terceiro colocado me ultrapassou forte, subiu correndo e mostrou que estava inteiro. Me senti totalmente desmotivado, desanimado, mas faltavam apenas 15km e não iria desistir. Voltei a trotar leve e correr mais forte nas descidas. Alguns quilômetros a frente avistei o então líder, agora segundo colocado, andando devagar numa subida forte. Aquela era a energia que faltava para me recuperar. Estrategicamente fui me aproximando até que no Km n° 71 encontramos com um dos carros de apoio e ele parou. Aproveitei a parada, me aproximei, comi uma maça, recarreguei a água e parti correndo. Notei que abri distância e não parei mais de correr até a chegada, concluindo a prova na segunda colocação com 8:50h de prova, abaixo do tempo do vencedor do ano passado, mas infelizmente pior do que o tempo do vencedor deste ano.

            A experiência de correr solo, sem nenhum tipo de apoio é totalmente diferente. Faz muita diferença ter alguém que possa te oferecer algo gelado ou quente para beber, comer ou até mesmo uma palavra de incentivo. Gostei muito da minha performance e dos desafios que tive que enfrentar para chegar ao final desta competição, o que motivou uma mudança drástica de planos para competir a Ultramaratona dos Anjos em Julho.
            Não irei mais pedalando de Curitiba até Passa Quatro e tão pouco irei correr na categoria Solo. Vou optar por correr na categoria Survivor, ou seja, com apoio e o meu foco será em primeiramente finalizar a prova e depois conseguir uma boa colocação. O meu foco este ano será em performance e tempo, o que em hipótese se consegue melhorar com apoio.
            Agradecimento especial a Território Mountain, Nutriscience, Ultox WL e Curitiba GPS pelo apoio.
            Obrigado pela leitura e bons treinos pessoal!